É muita hipocrisia falar sobre a guerra no Rio de Janeiro como algo inesperado. Do modo precário como o sistema caminha, uma faísa é fogo suficiente para causar uma explosão. Já ouvi muitos falarem em matar, explodir ou detonar todos os moradores da favela, onde a massa dominante é feita, ainda, de trabalhores. Nem sempre honestos, mas trabalhadores, minoria valiosa que por enquanto não se rendeu ao tráfico. O mais doloroso é saber que a polícia fez e está fazendo o seu trabalho, invadindo favelas e tentando verdadeiramente diminuir o tráfico, idealizando seu fim. Com isso, enxergamos bem como o problema não se resume em uma só solução. Precisamos de várias. Almeja-se que com a melhoria progressiva da educação no país, tudo funcionasse melhor. Seguindo este raciocínio, pensamos: indiretamente proporcional a educação e ao conhecimento, está o uso de drogas. Quanto mais cultos, estudados, menor o uso? Deveria ser assim, mas não é. Sempre terá a minoria (ou a maioria) barulhenta, irresponsável e convenhamos, burra. Sempre terão os playboyzinhos e filhinhas de papai, geralmente muito bem educados, acendendo seu baseado, cheirando cocaina ou usando crack para dar uma corzinha a mais na sua vida pacata. Elimina-se a hipótese de acabar com os usuários. Temos presídios de segurança máxima, não temos? Por que não buscamos meios a fim de melhorar essa suposta qualidade máxima? Traficante solto, traficante preso. Vejo um sinônimo imenso entre as palavras. Dentro da cadeia comanda-se até melhor uma mafia, afinal, eles já estão gozando da máxima punição possível, o que mais pode lhes acontecer? Acho que direitos humanos tem limite, assim como o dinheiro público gasto para manter cada “traficantezinho” entre quatro paredes. Quatro paredes, essas sem limites, foram todos quebrados pelos habitantes que entre elas vivem, responsáveis cada dia mais pelo caos das drogas. Jogar dinheiro no lixo, estamos hospedando vagabundos de graça, sem benefício algum. Muitas falhas nos presídios e nenhum indício de solução. Como diz a Veja dessa semana, ladrões de galinha são colocados na mesma cela de criminosos perigosos. A famosa lei das influências, somos induzidos a ir na maré do meio onde vivemos. Com o policiamento reforçado nas favelas do Rio de Janeiro, os escravos dos chefões ficam sem saída, falta-lhes dinheiro. (E se não tivessem compradores? Esqueça. Sempre haverão, lembra?). A mandato dos poderosos, queimam ônibus, carros, fazem o terror. Queimam a esperança e fazem a fumaça de medo dos cariocas se propagar por todo o país. Alguns entendem a atitude dos vândalos, eu entendo. Muitos deles tem família para criar, uma responsabilidade nas costas. Outros nem isso tem, mas precisam comer, sobreviver ou sustentar um vício. São seres humanos. O tráfico lhes proporciona mais que qualquer emprego, como se tivesse emprego sobrando para ser procurado..Se os mandantes fossem devidamente isolados, mortos, exterminados, se as favelas continuassem sendo vigiadas, cada vez mais, 24 horas por dia por policiais descentes, se empregos fossem gerados e se você, caro maconheiro, colocasse a mão na consciência, fosse menos egoísta e parasse de fumar, o problema seria pelo menos em parte resolvido. E se explodissem tudo? Bom..inocêntes morreriam, o que não é nenhuma novidade para a sociedade. Inocêntes morrem todo dia e morrerão de um jeito ou de outro. Este inocênte pode ser você. Precisamos de no mínimo mil Capitães Nascimento, na vida real, para pensarmos em paz nesse país..
M.