Certas coisas nunca mudam. O tempo pode passar, as estações mudarem, o vento pode levar. Arrastar com toda a força o momento, impedindo que ele se torne eterno. Tempo, o nosso maior inimigo e melhor amigo. Há dias em que imploramos para o maldito tempo parar, congelar. Sonhamos por alguns segundos que ele atenderá nosso pedido. Quando acordamos, notamos que ele é traiçoeiro, tudo arrasta, tudo leva. Parceiro do tempo benigno, temos o vento, que bate a nossa porta em momentos ruins e sussurra: “tudo passa”. Eles trabalham juntos. O tempo nos ajuda a esquecer o que precisamos ou queremos esquecer, fortalecendo ao mesmo tempo as lembranças, dia a dia. O vento, mais esperto, só leva para longe, aquele passado tão querido ou odiado que se torna mais passado a cada dia. Passamos em lugares onde já estivemos antes, vemos fotos e ouvimos músicas só para sentir outra vez. Um abraço, uma risada, um beijo, um cheiro, um nervoso, uma adrenalina, um suspiro, um calor, um frio, uma lágrima. Aquela lágrima, nossa conhecida. Sempre acompanhada de uma impossibilidade: a de voltar atrás. Nem sempre por arrependimento ou com algum propósito de mudar, fazer algo diferente. Às vezes só para consolo, para ter certeza de que um dia se foi feliz. Para se certificar que seu coração já foi inundado de alegria e não se sabia. Por que fazemos isso? Sofremos com isso! Sabemos disso. Tudo fruto da nossa mente, escrava de momentos bons, que nos ordena tentar revive-los com medo de esquecê-los. Faça hoje aquilo que você se arrependeu de não ter feito ontem. Apesar da dor de uma perda ou qualquer outra falha no coração, siga em frente. Sinta-se lisonjeado por ter tido momentos como esses, pessoas como essas. Mesmo que não estejam mais na sua vida, mesmo que seja culpa sua, levante-se. Nunca se arrependa pelo o que parecia certo no momento ou por mera imaturidade: pessoas erram, pessoas crescem. E se tiver uma segunda chance..agarre-a.
M.